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A FARRA DO CAIXÃO: Sem CPFs, Prefeitura de Irecê paga enterros em duplicidade para os mesmos nomes

  • Foto do escritor: Redação FalaAiBahia
    Redação FalaAiBahia
  • 17 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Denúncia do "Fala Vilar" revela o "milagre da multiplicação" nos processos de pagamento de 2023: prefeitura gasta milhares de reais com funerária, mas listas de falecidos não apresentam documento oficial para provar quem morreu.


POR REDAÇÃO | INVESTIGAÇÃO


Uma nova bomba acaba de explodir no colo da gestão do prefeito Elmo Vaz em Irecê. Documentos obtidos e divulgados pelo perfil fiscalizador "Fala Vilar" revelam detalhes escandalosos do que já está sendo chamado de "A Farra do Caixão".


Ao contrário do que a prefeitura poderia alegar sobre "homônimos" (pessoas diferentes com o mesmo nome), as provas mostram uma falha grotesca, e conveniente, na contabilidade municipal: as listas de beneficiários do auxílio-funeral não possuem CPF.


O ESQUEMA DOS "MORTOS-VIVOS"


A análise dos Processos de Pagamento nº 35 (de 31/01/2023) e nº 499 (de 03/05/2023), que somam mais de R$ 22 mil pagos à empresa - PAFIR Comércio de Produtos Funerários, expõe uma coincidência macabra.


Nomes idênticos aparecem repetidos em diferentes pontos da listagem de "usuários/falecidos", gerando pagamentos duplicados para o fornecedor. Sem a exigência do CPF (Cadastro de Pessoa Física) no documento oficial da Secretaria de Assistência Social, torna-se impossível distinguir um cidadão do outro, abrindo as portas para o desvio de verba pública.


O "Fala Vilar" flagrou casos inacreditáveis de repetição:


• Marcelo Roque Duarte dos Santos: Aparece no item 5 de uma lista e ressurge no item 12 de outra.


• Raimundo Claudio da Silva: Consta no item 1 e aparece novamente no item 21.


• Felisberto Alves Neiva: Figura no item 6 e reaparece no item 22.


CHEQUE EM BRANCO COM DINHEIRO DO POVO


Especialistas em contas públicas alertam: pagar benefícios sociais sem a identificação do CPF é irregular e fere gravemente os princípios da transparência. "Sem o CPF, qualquer nome comum vira um cheque em branco. A prefeitura pode pagar dez vezes pelo enterro de um 'José da Silva' e alegar que foram dez Josés diferentes. É a receita perfeita para a fraude", analisa um auditor consultado pela reportagem.

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As notas fiscais mostram valores vultosos saindo do Fundo Municipal de Assistência Social, R$ 12.800,00 em janeiro e R$ 9.840,00 em maio — para custear "urnas funerárias e roupa mortuária".


SILÊNCIO DE ELMO VAZ


A denúncia joga luz sobre o ex gestor que parece não ter controle, ou ter controle até demais, sobre quem morre na cidade. A comunidade de Irecê, indignada, aguarda explicações:


1. Por que a Secretaria de Assistência Social aceita listas de beneficiários sem CPF?


2. Como o setor de pagamentos autorizou a liberação de verba para nomes duplicados no mesmo período?


3. Onde estão os atestados de óbito que comprovariam a existência desses supostos homônimos?


Enquanto as respostas não vêm, a "Farra do Caixão" segue assombrando os cofres de Irecê, provando que, na atual gestão, o descanso pode ser eterno, mas a despesa é recorrente.


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