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Gestão sem comando: A companheirada no Poder

  • Foto do escritor: Redação FalaAiBahia
    Redação FalaAiBahia
  • 30 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Nos últimos meses, uma percepção tem se repetido com frequência incomum em Irecê: a de que o Executivo municipal opera sem um centro claro de decisão. Não se trata de divergência ideológica, nem de disputa partidária de rotina. Trata-se de algo mais básico e mais grave: a ausência de liderança visível diante de problemas relevantes, com predomínio de comunicação de agenda e imagem, em detrimento de posicionamentos objetivos, explicações públicas e medidas verificáveis.


É desse diagnóstico — primeiro o argumento, depois o rótulo — que emerge, nos bastidores, a comparação que vem ganhando corpo: “Murilo das Virgens”. A ideia por trás do apelido não é o sobrenome; é o enredo político que ele sugere: um prefeito que ocupa a vitrine enquanto o comando real estaria em outro lugar.


O antecedente que a cidade não esqueceu


A política municipal tem memória curta para promessas e longa para resultados. Zé das Virgens foi eleito com larga vantagem e, quatro anos depois, perdeu a reeleição por 763 votos. O fracasso, nesse caso, foi eleitoral e objetivo: um governo que começou com capital político alto terminou reprovado no voto.


A comparação atual se apoia justamente nisso: Irecê já viu o fenômeno do prefeito sem comando, e já aplicou a sanção eleitoral.


Os sinais concretos de falta de liderança


Uma gestão se afirma quando enfrenta crise com método. O que se observa, segundo a crítica que circula com insistência, é o inverso: em episódios e situações considerados graves pela população, o que predomina é a ausência de pronunciamento claro e tempestivo, a falta de explicação institucional completa e a impressão de que a Prefeitura se limita a “segurar a narrativa”.


O resultado é previsível: cresce o ruído, aumentam as versões, e a imagem pública do governo passa a ser definida por terceiros. Em administração pública, quando o Executivo não fala com clareza, a cidade interpreta o silêncio como incapacidade de comando.


Tutela e dispersão: a Prefeitura como “condomínio”


O ponto mais corrosivo da crítica local é o tema da tutela. A percepção que se dissemina é a de que o ex-prefeito Elmo Vaz manteria influência decisiva sobre a condução do governo, com núcleos estratégicos funcionando como extensão do ciclo anterior. Em paralelo, há também um eixo político-ideológico associado a Jacó e à chamada “companheirada”, sustentando espaços e imprimindo agenda.


O efeito desse arranjo — ainda que descrito em linguagem de bastidor — é sentido no plano administrativo: um Executivo sem unidade de comando, com decisões diluídas, responsabilidades difusas e, por consequência, baixa capacidade de resposta pública.


Em termos simples, o que se comenta é que Murilo estaria mais próximo de um papel de representação do que de direção. A cidade chama isso de “prefeito laranja”. O termo é duro, mas é sintomático: surge quando a população conclui que o prefeito não é o titular real da caneta.


Marketing não substitui governo


Agenda pública, presença e comunicação institucional são instrumentos legítimos de gestão. O problema é quando se tornam substitutos da própria gestão. Em município, a realidade cobra rápido: crise na saúde, falhas de serviço, sensação de desorganização e insegurança institucional exigem algo que não se resolve com fotografia, nota genérica ou silêncio.


A legitimidade do prefeito não se sustenta na vitrine. Sustenta-se em três pilares:

1. Posicionamento público diante de temas graves, com fatos, medidas e prazos.

2. Cadeia de comando clara, para que a população saiba quem decide e quem responde.

3. Prestação de contas permanente, com transparência ativa e linguagem compreensível.


Sem isso, o desgaste não virá por “perseguição” nem por “intriga”. Virá pela percepção, cada vez mais difícil de conter, de que Irecê está sendo administrada por um conjunto de tutelas e grupos, enquanto o prefeito limita-se a administrar a própria imagem.


E, se a cidade estiver certa nessa leitura, a consequência histórica já é conhecida. Irecê já mostrou, em 2012, que sabe aplicar o veredito nas urnas.

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