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Tubos queimados, dinheiro exposto: o incêndio escancarou a má gestão da macrodrenagem em Irecê

  • Foto do escritor: Redação FalaAiBahia
    Redação FalaAiBahia
  • 14 de jan.
  • 2 min de leitura

A perícia oficial da Polícia Civil concluiu que o incêndio que destruiu tubos de macrodrenagem da Prefeitura de Irecê, em outubro de 2025, foi criminoso e intencional. O laudo técnico citado na imprensa aponta “chama direta em múltiplos pontos”, descartando hipótese de acidente, causa natural ou falha elétrica com alto grau de confiança. 


O dano foi além do material: houve impacto em rede elétrica, abastecimento de água e poluição atmosférica, com risco à saúde de moradores do entorno. 


Crime, portanto, houve. Mas o que o incêndio expôs de forma ainda mais grave foi outra coisa: o município deixou um patrimônio caro, essencial e sensível virar um estoque vulnerável.


O incêndio foi criminoso. A vulnerabilidade foi administrativa.


Já em 13 de outubro de 2025, o site Irecê Acontece relatou que os tubos estavam guardados em terreno mais afastado do centro “para garantir segurança”, e que houve invasão e fogo intencional. 

Ou seja: havia consciência do risco e, ainda assim, o cenário permitiu o prejuízo.


Quatro sinais evidentes de má gestão


1) Compra fora do ritmo da obra (estoque vira passivo)

Quando a obra não acompanha o volume comprado, o município transforma investimento em depósito: dinheiro público parado, material exposto e risco acumulado. Compra responsável é por etapa, alinhada a cronograma físico-financeiro. O resto é aposta.


2) Falta de estrutura de armazenamento (falha básica de gestão patrimonial)

Material volumoso e de alto valor exige pátio adequado, controle de acesso, inventário e vigilância. Se não existe estrutura, a compra deveria ser escalonada. Comprar sem ter onde guardar é erro de gestão, não fatalidade.


3) Logística que reduz fiscalização (o “longe do centro” como problema, não solução)

Armazenar em área afastada pode até parecer prudente, mas frequentemente produz o contrário: menos presença, menos controle, resposta mais lenta e maior vulnerabilidade — exatamente o que o episódio confirmou. 


4) Paralisia operacional amplifica risco (obra travada = patrimônio largado)

Quando a obra entra em ritmo de paralisação, o estoque perde destino, o canteiro perde disciplina e a guarda vira formalidade. E aí basta um evento criminoso para o prejuízo se tornar “total”.


O custo real: Irecê paga duas vezes


A população paga na compra e paga de novo no atraso: reposição, aditivos, disputa contratual, judicialização e mais anos convivendo com alagamentos. Isso é o retrato prático da má gestão: imposto convertido em prejuízo e demora.


Transparência que encerra o debate (com documentos)


Para sair do discurso e entrar nos fatos, o município precisa publicar, de forma organizada:

• cronograma físico-financeiro original e o executado (medições e aditivos);

• notas fiscais, ordens de fornecimento, lotes, quantidades e preços unitários;

• termos de recebimento e conferência do material (quem atestou);

• responsabilidade formal pela guarda e protocolos de segurança adotados;

• situação do contrato (paralisação, pendências, pagamentos e justificativas formais).


O laudo indica que houve ação criminosa. 

Mas a pergunta administrativa já tem resposta provisória: o crime destruiu; a má gestão permitiu que fosse destruído com facilidade e custo máximo para o povo.

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